“A ESPERANÇA DOS POBRES JAMAIS SE FRUSTRARÁ” (Sl 9,19)

Ao término do Jubileu Extraordinário da Misericórdia (2015-2016), o Papa Francisco criou o “Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado no penúltimo domingo do tempo comum do calendário litúrgico. Neste ano de 2019, será no dia 17 de novembro, precedido por uma jornada que deve ser iniciada no dia 10 do mesmo mês. O tema proposto pelo Santo Padre o Papa é: “A esperança dos pobres jamais se frustrará”, retirado da Bíblia, Salmo 9, versículo 19.
O fenômeno do empobrecimento de amplos setores da população mundial é um fato, que se espalha pela maioria dos países, em todos os continentes, apesar do progresso, do desenvolvimento científico e tecnológico, e do crescimento da acessibilidade a melhores condições de vida. Mais do que nunca, verificamos a veracidade da palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Os pobres sempre tendes convosco, mas a mim não tereis sempre” (Mt 26,11).
Segundo dados do IBGE e IPEA, citados no instrumento de trabalho para a III Jornada Mundial dos Pobres, pelo Padre Francisco de Aquino Júnior, da Diocese de Limoeiro do Norte, CE, Professor da Faculdade Católica de Fortaleza e da Universidade Católica de Pernambuco, no Brasil, “de 2016 para 2017 o número de pobres que vivem com até 406 reais por mês passou de 52,8 milhões para 54,8 milhões (2 milhões a mais) e o número de pessoas que vivem na extrema pobreza com até 140 reais por mês passou de 13,5 para 15, 2 milhões de pessoas (quase 2 milhões a mais); percentual de pobreza por regiões: nordeste (44,8 %), sudeste (17,4 %), sul (12,8 %); quase metade da população das regiões norte e nordeste tem rendimento mensal de até meio salário mínimo; entre 2014 e 2017 o número de pessoas sem ocupação passou de 6,9% para 12,5% da população (6,2 milhões de pessoas a mais!); 40,88% da população vive de trabalho  informal; os brancos ganham, em média, 72,5% mais que pretos e pardos e os homens 29,7% mais que as mulheres; estudos parciais de 2015 estimavam mais de 100 mil pessoas vivendo em situação de rua no Brasil.”
Segundo Dom Joel Portela Amado, Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na apresentação do subsídio para o dia mundial do pobre, a III Jornada Mundial dos Pobres, “é um convite a todas as comunidades cristãs e a todas as pessoas de boa vontade, para que levem esperança e conforto aos pobres, e a colaborarem para que ninguém se sinta privado da proximidade e da solidariedade humana.”
O Papa Francisco, na sua mensagem para à III Jornada Mundial dos Pobres, ao falar do Salmo 9, fonte do lema para este evento, explica: “O contexto descrito pelo salmo tinge-se de tristeza, devido à injustiça, ao sofrimento e à amargura que fere os pobres. Apesar disso, ele fornece uma bela definição do pobre: é aquele que ‘confia no Senhor’( Sl 9, 11), pois tem a certeza de que nunca será abandonado. Na Escritura, o pobre é o homem da confiança! E o autor sagrado indica também o motivo dessa confiança: ele ‘conhece o seu Senhor’ (Sl 9, 11). Na linguagem bíblica, esse ‘conhecer’ indica uma relação pessoal de afeto e de amor. O Deus que Jesus quis revelar é este: um Pai generoso, misericordioso, inexaurível na sua bondade e graça, que dá esperança sobretudo aos que estão desiludidos e privados de futuro.”
Ninguém tem inscrito na sua natureza a pobreza; nenhuma pessoa, ao ser concebida e nascida, é pobre, mas é gradualmente empobrecida. A pobreza é um fato prevalentemente social, produto de relações humanas marcadas pela injustiça e pela falta de oportunidades iguais para todos, sobretudo de acesso à educação, trabalho e moradia digna. Os empobrecidos são vítimas da sociedade, mas são também esperança de transformação, podem se tornar agentes de uma sociedade mais igualitária.
Nós católicos, iluminados pela fé, vemos no empobrecido a pessoa mesma de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Todas as vezes que fizestes isso a um desses mínimos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes! ” (Mt 25, 40). O que realizamos para o bem do empobrecido, é a Nosso Senhor Jesus Cristo que fazemos ( Mt 25, 34-46). A satisfação das necessidades imediatas e a criação de novas oportunidades para os empobrecidos é um dever que nasce da caridade, faz parte da identidade católica: “Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns para com os outros”(Jo 13, 35).
+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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Matéria retirada do Site: Dom Tomé Ferreira

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Dom Tomé Ferreira

LEMA EPISCOPAL: “Santidade na verdade e caridade” Filho de Sebastião Ferreira da Silva e D. Ana Ferreira da Silva (já falecidos), nasceu no dia 17 de maio de 1961, na cidade de Cristina, Estado de Minas Gerais. Cursou o Ensino fundamental e Médio nas Escolas de São Domingos Sávio e Cônego Artêmio Schiavon, em Cristina, sua cidade natal, e na Escola Estadual Vital Brasil e no Seminário Diocesano Nossa Senhora das Dores, em Campanha, onde ingressou em fevereiro de 1975, aos 14 anos de idade. Em 1982, concluiu o Curso de Filosofia, no Seminário Diocesano São José, em Três Corações e, em 1986, o Curso de Teologia, realizado no Instituto Teológico Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté, agregado à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (RJ). Tendo concluído sua formação seminarística, foi ordenado presbítero no dia 1º de janeiro de 1987, em Cristina (MG), por Dom Tarcísio Ariovaldo do Amaral, já falecido. Como padre, concluiu os cursos de Estudos Sociais, em 1989, e de História, em 1990, pela Universidade Vale do Rio Verde, em Três Corações. Em 1993, obteve o Mestrado em Filosofia – Especialização em Filosofia Teorética, pela Universidade Gregoriana, em Roma, Itália. Cinco anos após, em 1998, obteve o título de Especialista em Filosofia Contemporânea (latu sensu), pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte (MG). Na diocese de Campanha, realizou trabalhos pastorais nas seguintes paróquias: Nossa Senhora das Dores, em Boa Esperança; Santa Isabel, em Heliodora; Santa Catarina de Alexandria, em Natércia; Nossa Senhora da Conceição, em Conceição das Pedras; e Sagrada Família, em Três Corações. Foi, também, membro de diversos organismos diocesanos com o Conselho Presbiteral, Conselho Administrativo e Conselho Pastoral. Foi coordenador diocesano da Pastoral da Liturgia e professor, vice-reitor e reitor do Seminário Diocesano São José, do Curso de Filosofia também em sua diocese natal. Atuou como docente de Filosofia no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, na arquidiocese de Pouso Alegre (MG). No Regional Leste 2 da CNBB, representou da diocese de Campanha na Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil e na Comissão de Liturgia. Eleito bispo no dia 09 de março de 2005 por Sua Santidade João Paulo II, foi ordenado no dia 13 de maio na cidade de Cristina (MG). Quinze dias após, no dia 28 de maio, tomou posse do ofício de Bispo Auxiliar na Arquidiocese de São Paulo. Durante sete anos de sua permanência nessa Arquidiocese, Dom Tomé foi Vigário Episcopal na Região Episcopal Ipiranga, Vigário Geral da Arquidiocese de São Paulo, Bispo Assessor da Pastoral Vocacional, dos Seminários e da Dimensão Missionária. Também, atuou com o Bispo referencial para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso no Regional Sul 1 da CNBB. No dia 26 de setembro de 2012, foi eleito bispo da Diocese de São José do Rio Preto. No dia 16 de novembro de 2012, na presença de inúmeros bispos, padres e leigos, tomou posse como o 5º bispo da história desta diocese do Noroeste Paulista.

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