MISSIONARIEDADE

 
“Diante de Deus e do Cristo Jesus que vai julgar os vivos e os mortos, eu te peço com insistência, pela manifestação de Cristo e por seu reinado: PROCLAMA A PALAVRA, INSISTE OPORTUNA E INOPORTUNAMENTE, CONVENCE, REPREENDE, EXORTA, COM TODA A LONGANIMIDADE E ENSINAMENTO. De fato, vai chegar um tempo em que muitos não suportarão a sã doutrina e se cercarão de mestres conforme seus desejos, quando sentem coceira no ouvido e, desviando o ouvido da verdade, voltam para as fábulas. Tu, porém, vigia em tudo, suporta as provações, faze a obra de um evangelizador, desempenha bem o teu ministério” (2Tm 4, 1-5).

 A missão é a continuidade da obra de Nosso Senhor Jesus Cristo, realizada na força do Divino Espírito Santo: “Recebereis a força do Espírito Santo que virá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, até os confins da terra” (At 1, 8).

 As missões são modos concretos de realizar a missão: “Foi me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-os a observar tudo o que vos mandei. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 16-20).

 A missão é a mesma para toda a Igreja, anúncio testemunhal e presencialização do Reino de Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo. As missões se diversificam em cada cultura e espaço, com logística diferenciada. Não se pode dissociar uma da outra, uma vez que as missões são modos concretos operacionalizados pelas igrejas para realizarem a missão que o Missionário de Deus Pai nos deixou, e para tanto nos presenteou com o Divino Espírito Santo.

 Desde que me recordo por gente, aos sete anos, tenho ouvido falar de missão e de missões. Ao longo destes 51 anos, o aumento da frequência desta fala parece ser proporcional à diminuição dos fiéis e do ânimo missionário nas nossas igrejas. Em muitas ocasiões, é uma fala cansativa, repetitiva no conteúdo e na forma, modorrenta, sem eco e com pouco retorno.

 O discurso da missão e das missões se apresenta como obrigatório e formal, não parece feito e nem ouvido com paixão; realizado sem ânimo, torna-se incapaz de animar. Venho sentindo, hoje, que a narrativa da missão e das missões é realizada num movimento de fora para dentro, como resposta a uma obediência e urgência pastoral. E essa palavra que parece não brotar do coração, não chega aos corações. A questão da missão e das missões, ao que tudo indica, não está na pauta do coração e da vida dos católicos romanos, salvo raras exceções. Por que isto acontece? Não sei e gostaria de saber a resposta.

 Há um medo, um receio, talvez em nome do “politicamente correto”, dos católicos romanos, em viverem missionariamente a sua fé, o que, consequentemente, compromete a realização da missão e das missões. Essa situação pode estar sendo determinada pela pluralidade religiosa, o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, mas também pela crise da identidade católica, e, sobretudo, porque não queremos abordar, provocar e interferir na vida das pessoas que vivem na ignorância total ou parcial de Nosso Senhor Jesus Cristo e do seu evangelho de salvação.

 E não queremos interferir, seria por comodismo? Por falsa modéstia? Por não acreditar na eficácia da Palavra de Deus? Por não termos sido missionados? Por que a nossa fé se resume a atos de piedade? Por que nossa fé não é convicta, fruto de decisão e escolha? Acredito que o modo de acolher e viver a fé, entre nós católicos, está afetando a nossa disposição, confiança e ânimo na missão e nas missões. A missionariedade está vinculada ao modo como assumimos e vivemos a fé. Quanto mais pura e madura a fé, maior será a consciência e a participação na missão e nas missões.

 O empenho missionário pressupõe a vida de fé. A superação da dificuldade da missão e das missões requer trabalhar a vida de fé do fiel, começando por mim mesmo. Assim, o discurso da missão e das missões será de dentro para fora e poderá surtir os efeitos esperados, não serão palavras ao vento. O problema não está na missão e nas missões, mas na nossa vida de fé.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

;
Matéria retirada do Site: Dom Tomé Ferreira

Gostou do nosso site, compartilhe...
RSS
Follow by Email
Facebook
Facebook
Twitter
Visit Us
YouTube
YouTube
INSTAGRAM

Dom Tomé Ferreira

LEMA EPISCOPAL: “Santidade na verdade e caridade” Filho de Sebastião Ferreira da Silva e D. Ana Ferreira da Silva (já falecidos), nasceu no dia 17 de maio de 1961, na cidade de Cristina, Estado de Minas Gerais. Cursou o Ensino fundamental e Médio nas Escolas de São Domingos Sávio e Cônego Artêmio Schiavon, em Cristina, sua cidade natal, e na Escola Estadual Vital Brasil e no Seminário Diocesano Nossa Senhora das Dores, em Campanha, onde ingressou em fevereiro de 1975, aos 14 anos de idade. Em 1982, concluiu o Curso de Filosofia, no Seminário Diocesano São José, em Três Corações e, em 1986, o Curso de Teologia, realizado no Instituto Teológico Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté, agregado à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (RJ). Tendo concluído sua formação seminarística, foi ordenado presbítero no dia 1º de janeiro de 1987, em Cristina (MG), por Dom Tarcísio Ariovaldo do Amaral, já falecido. Como padre, concluiu os cursos de Estudos Sociais, em 1989, e de História, em 1990, pela Universidade Vale do Rio Verde, em Três Corações. Em 1993, obteve o Mestrado em Filosofia – Especialização em Filosofia Teorética, pela Universidade Gregoriana, em Roma, Itália. Cinco anos após, em 1998, obteve o título de Especialista em Filosofia Contemporânea (latu sensu), pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte (MG). Na diocese de Campanha, realizou trabalhos pastorais nas seguintes paróquias: Nossa Senhora das Dores, em Boa Esperança; Santa Isabel, em Heliodora; Santa Catarina de Alexandria, em Natércia; Nossa Senhora da Conceição, em Conceição das Pedras; e Sagrada Família, em Três Corações. Foi, também, membro de diversos organismos diocesanos com o Conselho Presbiteral, Conselho Administrativo e Conselho Pastoral. Foi coordenador diocesano da Pastoral da Liturgia e professor, vice-reitor e reitor do Seminário Diocesano São José, do Curso de Filosofia também em sua diocese natal. Atuou como docente de Filosofia no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, na arquidiocese de Pouso Alegre (MG). No Regional Leste 2 da CNBB, representou da diocese de Campanha na Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil e na Comissão de Liturgia. Eleito bispo no dia 09 de março de 2005 por Sua Santidade João Paulo II, foi ordenado no dia 13 de maio na cidade de Cristina (MG). Quinze dias após, no dia 28 de maio, tomou posse do ofício de Bispo Auxiliar na Arquidiocese de São Paulo. Durante sete anos de sua permanência nessa Arquidiocese, Dom Tomé foi Vigário Episcopal na Região Episcopal Ipiranga, Vigário Geral da Arquidiocese de São Paulo, Bispo Assessor da Pastoral Vocacional, dos Seminários e da Dimensão Missionária. Também, atuou com o Bispo referencial para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso no Regional Sul 1 da CNBB. No dia 26 de setembro de 2012, foi eleito bispo da Diocese de São José do Rio Preto. No dia 16 de novembro de 2012, na presença de inúmeros bispos, padres e leigos, tomou posse como o 5º bispo da história desta diocese do Noroeste Paulista.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *