NARRATIVAS, FATOS E BOATOS

A palavra “narrativa” está na moda. A construção e divulgação de narrativas permeia o universo da comunicação, interferindo intensivamente na realidade. O “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa” afirma que narrativa “é a exposição de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos mais ou menos encadeados, reais ou imaginários, por meio de palavras ou de imagens”. 
Seria simples se toda palavra estivesse necessariamente vinculada a um objeto ou fato, ou se fosse usada para expô-los ou comentá-los, mas não é assim. A palavra, e também a imagem, possui um poder próprio, também capaz de criar “realidades” fictícias e, enquanto tal, pode transformar-se num instrumento que edifica ou desconstrói.
Outras vezes, os comentários e interpretações elaboradas se distanciam das coisas e fatos e tornam-se “realidades”, sobrepondo-se ou assumindo o lugar das coisas e fatos originários. Troca-se a realidade por interpretações da mesma. “Suprime-se” a realidade e cria-se outra, que acaba por ser assumida como verdade, mas que de fato não o é.
No Brasil, vivemos um momento, na esfera privada, social e pública, em que a proliferação de narrativas está criando uma situação caótica e de difícil resolução no presente e para o futuro. Os governos e as instituições públicas, as organizações sociais, organismos religiosos, as autoridades de todo tipo e pessoas que ocupam funções públicas se encontram na “berlinda”. 
A potencialização das narrativas, através dos meios de comunicação social, de todo tipo, amplifica indefinidamente o bem ou o mal que elas provocam nas pessoas, nas instituições e na sociedade. O Brasil vive um tempo de profunda “ansiedade” e inquietação, que gera insegurança para o cidadão, afeta o equilíbrio dos poderes instituídos, solapa as instituições civis e, através da dúvida, gera a instabilidade generalizada. 
Somos responsáveis pelo que somos e fazemos, também pelas narrativas que construímos e divulgamos. A ética, iluminada pela verdade, honestidade e integridade, deve emoldurar nosso ser e ação. A supressão da ética é o começo do fim, a antecipação do caos. 
Em tempos tão difíceis para o Brasil, é preciso exercitar o discernimento, não dar crédito simplesmente porque algo foi publicado, mas averiguar com acuidade a veracidade dos fatos, procurar compreender os comentários e interpretações, e somente reter o que não se encontra em dissonância com a verdade, a honestidade e a integridade. Assim, forme sua própria convicção e não se deixe levar como “Maria vai com as outras”, segundo o ditado popular.
O Brasil precisa de você, de mim, de nós. Façamos a nossa parte!
+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP.

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Matéria retirada do Site: Dom Tomé Ferreira

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Dom Tomé Ferreira

LEMA EPISCOPAL: “Santidade na verdade e caridade” Filho de Sebastião Ferreira da Silva e D. Ana Ferreira da Silva (já falecidos), nasceu no dia 17 de maio de 1961, na cidade de Cristina, Estado de Minas Gerais. Cursou o Ensino fundamental e Médio nas Escolas de São Domingos Sávio e Cônego Artêmio Schiavon, em Cristina, sua cidade natal, e na Escola Estadual Vital Brasil e no Seminário Diocesano Nossa Senhora das Dores, em Campanha, onde ingressou em fevereiro de 1975, aos 14 anos de idade. Em 1982, concluiu o Curso de Filosofia, no Seminário Diocesano São José, em Três Corações e, em 1986, o Curso de Teologia, realizado no Instituto Teológico Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté, agregado à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (RJ). Tendo concluído sua formação seminarística, foi ordenado presbítero no dia 1º de janeiro de 1987, em Cristina (MG), por Dom Tarcísio Ariovaldo do Amaral, já falecido. Como padre, concluiu os cursos de Estudos Sociais, em 1989, e de História, em 1990, pela Universidade Vale do Rio Verde, em Três Corações. Em 1993, obteve o Mestrado em Filosofia – Especialização em Filosofia Teorética, pela Universidade Gregoriana, em Roma, Itália. Cinco anos após, em 1998, obteve o título de Especialista em Filosofia Contemporânea (latu sensu), pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte (MG). Na diocese de Campanha, realizou trabalhos pastorais nas seguintes paróquias: Nossa Senhora das Dores, em Boa Esperança; Santa Isabel, em Heliodora; Santa Catarina de Alexandria, em Natércia; Nossa Senhora da Conceição, em Conceição das Pedras; e Sagrada Família, em Três Corações. Foi, também, membro de diversos organismos diocesanos com o Conselho Presbiteral, Conselho Administrativo e Conselho Pastoral. Foi coordenador diocesano da Pastoral da Liturgia e professor, vice-reitor e reitor do Seminário Diocesano São José, do Curso de Filosofia também em sua diocese natal. Atuou como docente de Filosofia no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, na arquidiocese de Pouso Alegre (MG). No Regional Leste 2 da CNBB, representou da diocese de Campanha na Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil e na Comissão de Liturgia. Eleito bispo no dia 09 de março de 2005 por Sua Santidade João Paulo II, foi ordenado no dia 13 de maio na cidade de Cristina (MG). Quinze dias após, no dia 28 de maio, tomou posse do ofício de Bispo Auxiliar na Arquidiocese de São Paulo. Durante sete anos de sua permanência nessa Arquidiocese, Dom Tomé foi Vigário Episcopal na Região Episcopal Ipiranga, Vigário Geral da Arquidiocese de São Paulo, Bispo Assessor da Pastoral Vocacional, dos Seminários e da Dimensão Missionária. Também, atuou com o Bispo referencial para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso no Regional Sul 1 da CNBB. No dia 26 de setembro de 2012, foi eleito bispo da Diocese de São José do Rio Preto. No dia 16 de novembro de 2012, na presença de inúmeros bispos, padres e leigos, tomou posse como o 5º bispo da história desta diocese do Noroeste Paulista.

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